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Sem Glúten

Glúten: o vilão do momento

Não há estudos que comprovem algum malefício causado pelo consumo do glúten, com exceção de casos diagnosticados com a intolerância, alergia ou alguma sensibilidade do organismo ao digerir esse nutriente.

Você já ouviu falar em mito alimentar? De tempos em tempos um alimento é classificado como “vilão”. A polêmica da vez gira em torno do glúten. Muitas pessoas passaram a cortar essa proteína de suas refeições devido a possíveis riscos que poderia trazer à saúde ou somente porque dizem que ela contribui para o aumento de peso. Mas qual é a verdade? O consumo de glúten realmente não é recomendado? 


O glúten é uma rede de proteínas composta, essencialmente, pela gliadina e pela glutenina, que, quando adicionadas à água, aglomeram-se, formando uma massa. Ele está presente no trigo, aveia, cevada e centeio, sendo responsável pela retenção dos gases da fermentação e promovendo a elasticidade da massa, processo que resulta na maciez e boa textura do alimento.


Até hoje não há estudos que comprovem algum malefício causado pelo consumo do glúten, com exceção de casos de celíacos diagnosticados com a intolerância, alergia ou alguma sensibilidade do organismo ao digerir a proteína. Todavia, existem algumas teorias usadas por quem defende a restrição. Uma delas diz respeito às mudanças que o trigo sofreu ao longo da história. Sim, o pão feito no século passado tinha uma estrutura diferente do de hoje, entretanto, não há comprovação de que isso tenha gerado sensibilidades ou doenças pela presença de formas alteradas de glúten.


Se não faz mal à saúde, também está liberado na dieta? Sim! Profissionais afirmam que o que engorda é uma alimentação sem equilíbrio, rica em açúcares e gorduras. O que fortalece o estigma do glúten estar associado ao aumento de peso, na verdade, são os alimentos processados e as fontes de carboidratos que possuem a proteína. Esses produtos em excesso levam ao ganho de peso. Isso já ajuda a explicar porque o corpo reage diferente quando se cortam pratos com glúten.


Especialistas alertam que retirar o glúten sem necessidade pode gerar uma intolerância futura, pois o organismo passa a rejeitá-lo depois. Logo, é preciso atenção e uma orientação profissional. O ideal é adotar as versões integrais dos produtos que contêm glúten, pois elas serão sempre mais ricas em fibras e vitaminas.


Contudo, se mesmo assim você quiser excluir esse ingrediente da sua dieta, tenha atenção em diversificar a sua alimentação, consumindo alimentos variados, com um bom valor nutricional para evitar a falta de nutrientes importantes para a saúde, tal como todos os celíacos fazem. Vale investir no consumo de tapioca, farinha de arroz, polvilhos doce e azedo, milho, mandioca e trigo-sarraceno.


Cabe ressaltar que, segundo a Lei nº 8.543, de 23 de dezembro de 1992, é obrigatório informar nos rótulos dos alimentos a presença de glúten. Em 2003, também foi determinado que qualquer produto alimentício deve exibir na embalagem a indicação “contém glúten” ou “não contém glúten”. Estas descrições são de extrema importância, principalmente para os intolerantes. Todavia, o certo é que se você não tem alergia ao glúten, não há uma real necessidade de restringir a proteína de suas refeições.