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Consumo consciente

É seguro consumir carnes em tempos de pandemia?

Fakes news colocaram em xeque a qualidade e a segurança dos alimentos que colocamos na mesa da nossa família. Consulte sempre fontes de informações oficiais, pois não existe nenhuma relação comprovada entre carnes e contaminação do novo coronavírus.

Mais do que restrições sanitárias e de circulação, o novo coronavírus também foi um dos principais alvos das fake news em todo o mundo. A situação foi tão grave que a Organização Mundial da Saúde (OMS) precisou, inclusive, classificar o problema como uma infodemia - excesso de informações, sendo algumas corretas e outras não - o que dificulta a identificação de fontes idôneas e orientações confiáveis.


Para ajudar a enfrentar esse problema, a IFCN (International Fact-Checking Network, ou seja, instituto que checa informações para descobrir quais são faltas) organizou uma rede de 80 veículos de comunicação, de mais de 70 países, que trabalham juntos para reduzir as notícias falsas. As checagens realizadas nestes 6 meses de pandemia apontam que os países com mais notícias falsas verificadas são Índia, Estados Unidos e Brasil. Entre elas, destacam-se fake news relacionadas ao manuseio ou consumo de carnes.


Uma dessas notícias falsas dizia que cortes de carne de frango brasileira exportada para a China estariam contaminados por Covid-19. Porém, não foram divulgados detalhes mais específicos, apenas informações imprecisas sobre a segurança destes alimentos importados. Ou seja, com certeza se trata de fake news pois não houve nenhuma comprovação científica a respeito. 


Órgãos oficiais atestam a segurança da carne - O Covid-19 não é um problema de segurança dos alimentos, pois o vírus não se multiplica na comida e não afeta os animais, segundo relatórios da OMS para Alimentação e Agricultura, da Organização Mundial de Saúde Animal, da Codex Alimentarius e da Organização Mundial do Comércio. 


Já segundo Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), não há evidências científicas de que a Covid-19 seja transmitida por alimentos ou quaisquer carnes, frescas ou congeladas. A indústria de alimentos nacional segue implementando rigorosos procedimentos de segurança, como a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (HACCP), que vigora globalmente e funciona como uma prevenção sistemática para os riscos biológicos de segurança alimentar para qualquer tipo de bactéria ou vírus.


No caso da carne de gado, as medidas de segurança do setor pecuário começam no sistema de produção, desde o alimento fornecido para o rebanho até a carne embalada que chega nas gôndolas refrigeradas do mercado. Tais procedimentos rígidos se unem às tecnologias que garantem a qualidade do alimento em toda a cadeia, com foco na prevenção, detecção, adoção de medidas de controle e erradicação de males e outros problemas.


Sempre que receber alguma notícia alarmante sobre a pandemia ou que fale sobre a possibilidade de contágio por alimentos, consulte os órgãos oficiais, como a OMS, o Ministério da Saúde, a Embrapa e a FAO. O novo coronavírus é, sim, uma doença séria, contudo, é respiratória, sendo transmitida de pessoa a pessoa pelas gotículas que expiramos e inspiramos. Não há registros de contaminação alimentar. Tenha atenção ao que recebe e compartilha nas redes sociais - sobretudo o que vem pelo WhatsApp - e sempre desconfie.