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Bem-estar

O que o sistema digestivo tem a ver com o nervoso?

O bom funcionamento do intestino mantém a eficiência das funções cerebrais e evita o envelhecimento precoce de todo o corpo e, em especial, dos neurônios.

Você já ouviu falar que o intestino é o nosso “segundo cérebro”? Enquanto os estudos relacionados ao corpo humano vão avançando, fica cada vez mais evidente que o sistema digestivo vai muito além de processar a comida que ingerimos e transformá-la em energia. Diferente de qualquer outro órgão do corpo, o intestino detém certa autonomia no seu funcionamento. O que orienta de fato as funções do órgão é o chamado sistema nervoso entérico (SNE), que, por sua vez, está ligado ao sistema nervoso central.


Quando estamos sob o efeito de emoções negativas, os neurotransmissores interferem nas ondas peristálticas (movimento do intestino), podendo torná-las mais lentas, o que causa a constipação, ou mais aceleradas, o que leva à diarreia. Dada a proximidade da interação entre o intestino e o cérebro, é mais fácil perceber porque é que sentimos náuseas antes de fazer uma apresentação para um grande público ou sofremos uma inesperada “dor de barriga” durante períodos de estresse, como nas provas da faculdade. É nesse contexto que a saúde do intestino está ligada aos níveis de estresse e ao estado de ânimo das pessoas, podendo, também, em casos mais graves, estar associada a doenças neurológicas.


A disbiose, por exemplo, foi associada à manifestação de algumas doenças neurológicas, tais como: depressão, autismo, Parkinson, Alzheimer, dentre outras. A condição, caracterizada pelo desequilíbrio da flora intestinal, pode ocorrer pela falta de fibras e poucos alimentos fermentados na dieta, ou pelo excesso de comida industrializada, uso de medicamentos variados, pouco sono e sedentarismo.


No sistema nervoso, o que controla a dor, as emoções e o apetite é um neurotransmissor denominado serotonina. Recentemente, descobriu-se que cerca de 95% desta substância é produzida no intestino. A serotonina afeta muitas funções corporais, inclusive está associada a muitos transtornos psiquiátricos. A sua concentração pode ser reduzida pelo estresse e influencia o humor, a ansiedade e a própria sensação de felicidade.


Logo, não se pode desprezar o equilíbrio e a necessidade do bom funcionamento do sistema digestivo, no intuito de manter a eficiência das funções cerebrais e evitar o envelhecimento precoce do corpo como um todo e, sobretudo, da mente. Se você pensa que a sua saúde intestinal não anda bem - e, por consequência, prejudicando seu ânimo, temos algumas dicas abaixo:


  • Siga uma dieta diversificada e o mais natural possível para garantir os nutrientes necessários ao seu intestino. Vale aqui aquela orientação básica dos nutricionistas: descasque mais, desembrulhe menos;

  • Reduza o nível de estresse, praticando meditação, relaxamento, mindfulness (atenção plena) ou ioga;

  • Se você já tem sintomas de algum problema ou fragilidade/irritação intestinal, o ideal é evitar álcool, cafeína e comidas apimentadas ou excessivamente industrializadas, além de procurar um médico gastrologista para acompanhá-lo;

  • Tente dormir melhor: se você muda ou interrompe o seu relógio biológico alterando seus padrões de sono, também prejudica o seu intestino e, por consequência, seus neurônios.