O que é contaminação cruzada e como evitá-la?

Pessoas que são sensíveis, intolerantes ou alérgicas a determinados categorias de alimentos devem prestar muita atenção à forma como os pratos e lanches que consome são preparados. Da mesma forma, profissionais e empreendedores de toda a cadeia alimentícia também precisam ficar atentos, pois o uso desatento de equipamentos, assim como o manuseio e armazenamento inadequados podem causar o que chamamos de contaminação cruzada.

Maria Cecília Brito, diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), explica que “a contaminação cruzada pode acontecer por meio da transferência de microrganismos de um alimento ou superfície para utensílios, equipamentos ou do próprio manipulador”.

No caso do glúten, essa transferência de traços ou partículas entre alimentos pode ocorrer não só na área de manipulação de alimentos, mas também no plantio, colheita, armazenamento, beneficiamento, industrialização, no transporte e até na comercialização do produto final.


Você sabia que?

Quando consta na embalagem de um produto que ele "Contém Glúten" mas na lista de ingredientes não há algo que possa ter glúten, é sinal de que ocorreu (ou há risco de) contaminação cruzada em alguma etapa do processo industrial. Muitos fabricantes fazem esse alerta para garantir que quem tem doença celíaca ou mesmo intolerâncias mais graves não corra o risco de consumir desavisadamente esse tipo de produto.

 

Como evitar a contaminação cruzada?

A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra) indica uma série de práticas que, quando adotadas, ajudam a evitar a contaminação cruzada por glúten na sua casa. É importante:

  • preparar alimentos sem glúten e com glúten em áreas diferentes (na pia, na mesa);
  • usar utensílios diferentes durante o preparo dos alimentos;
  • armazenar os alimentos em espaço separados (se possível, em armários diferentes) e identificar os potes de armazenamento, caso tire da embalagem original;
  • ter certeza sobre a origem dos alimentos industrializados;
  • preocupe-se com a higienização de ingredientes naturais, pois eles podem ter tido contato com outros alimentos.


Quais cuidados devem ser tomados ao comprar alimentos e comer fora de casa?

Quem cozinha em casa consegue ter mais controle sobre o uso dos utensílios domésticos, dos espaços de preparo dos alimentos e do aproveitamento dos alimentos. Além disso, pode se beneficiar dos produtos sem glúten disponíveis no mercado. Eles são garantia de que não houve contaminação na produção - só é preciso redobrar a atenção para que essa contaminação não ocorra em casa. Mas como nem sempre é possível (e viável) preparar a própria comida, é essencial ter em mente dicas práticas e cuidados que precisam ser tomados tanto por você quanto pelos estabelecimentos que você frequenta.


São eles:

  • quando for comprar industrializados, confira se na embalagem consta a informação de que o alimento “não contém glúten”. Leia atentamente a lista de ingredientes e tente optar por fabricantes que tenham certificações e garantia de credibilidade no mercado;
  • em restaurantes, tudo precisa ser preparado separadamente: o óleo usado na fritura de alimentos com glúten não pode ser compartilhado com os sem glúten; as massas sem glúten não podem ser cozidas na mesma água usada com massas comuns;
  • fique sempre atento a pontos que acumulam migalhas, pois eles se tornam locais com potencial para a contaminação cruzada;
  • lembre que itens variados podem ter traços de glúten na composição: ração para animais, medicamentos, suplementos, cosméticos, massinha de modelar, giz de lousa, balões de látex, tinta facial e cola branca. Sempre que for adquirir estes produtos, verifique atentamente a fórmula, buscando identificar (ou não) a presença de glúten.


Dica extra: o portal Rio Sem Glúten disponibilizou gratuitamente o manual "Contaminação cruzada por glúten na cozinha - Manual para celíacos". Baixe aqui